Número de operações de portabilidade de crédito bate recorde em abril No mês, 55 mil dívidas foram transferidas de um banco para outro.
Número de operações de portabilidade de crédito bate recorde em abril
No mês, 55 mil dívidas foram transferidas de um banco para outro. Movimento deve continuar mesmo com o fim do ciclo de baixa de juros, apontam especialistas
Marília Almeida - iG São Paulo | 07/05/2013 12:00:00 - Atualizada às 07/05/2013 12:32:43
A portabilidade de crédito, seja um financiamento ou dívida, para bancos que ofereçam taxas de juros ou melhores condições, nunca foi tão alta no país. Em abril, foram 55.944 operações transferidas de uma instituição para outra, o maior da série histórica e que representou um volume de R$ 748,8 milhões, de acordo com dados do Banco Central.
O grande impulsionador deste movimento foram as reduções da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde julho de 2011, bem como a ofensiva de baixa dos juros comandada pelos bancos públicos.
De julho de 2011 a março de 2013, a Selic foi reduzida em 5,25 pontos percentuais (42%), de 12,50% para 7,25% ao ano. Como consequência, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 33,24 pontos percentuais (27,42%), de 121,21% para 87,97% ao ano, segundo pesquisa da Associação (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Evolução da portabilidade
Número de operações é o maior da série histórica e aumentou 51% nos últimos doze meses
Banco Central
De acordo com posição do Banco Central, em seu relatório de Estabilidade Financeira, publicado em março, o último disponível, a concorrência no setor bancário cria incentivos para a portabilidade de crédito, que continuou crescendo. “Como as instituições públicas reduziram suas taxas de forma mais significativa, essas foram as que mais receberam créditos de outras instituições”, relata o órgão.
A participação relativa dos bancos públicos atingiu 47,9% da carteira total em dezembro de 2012, contra 33,8% cinco anos antes. No final de fevereiro, o estoque de financiamentos da Caixa Econômica Federal havia crescido 43% em 12 meses, superior aos 41,8% registrado em 2012. No ano passado, Caixa e Banco do Brasil foram os líderes na concessão de empréstimos, especialmente para consumo.
Enquanto isso, bancos privados como o Citibank não vêem relevância comercial no processo que ainda consideram 'incipiente'. “Hoje, menos de 10% dos nossos volumes de aquisição em crédito pessoal são realizados via portabilidade”, diz o diretor de gerenciamento de risco Victor Loyola.
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Mas, apesar da campanha mais agressiva dos bancos públicos sobre a queda das taxa, Miguel Oliveira, presidente da Anefac, afirma que os bancos privados, em reação ao movimento, já diminuíram suas taxas, ainda que de maneira mais ‘silenciosa’.
Apesar do Banco Central não dividir os números por modalidade, Oliveira acredita que dívidas no cartão de crédito e no cheque especial estejam liderando este movimento. Ambas as dívidas caíram, em média, de 10,69% para 9,37% desde julho de 2011 (-45,36%) em dívidas no cartão de crédito, e de 8,27% para 7,72% (-15,39%) no cheque especial. Porém, a queda pode ter sido maior ou menor conforme a instituição financeira.
Para Oliveira, o movimento deve se manter no médio prazo, mesmo que o fim do ciclo de baixas da Selic tenha terminado. “A competição é maior agora. A pressão dos bancos públicos em reduzir suas taxas fez com que privados fizessem o mesmo. Além disso, as taxas ainda estão em patamares altos e encontram espaço para caírem”.
Negociação
É sempre válido comparar as condições oferecidas entre os bancos para verificar se vale portar a dívida, dizem os especialistas. “O banco não bate na porta do cliente para oferecer melhores condições. Cabe a ele tomar a iniciativa”, diz Oliveira.
Ele recomenda, antes de efetuar a portabilidade, verificar se não vale renegociar a dívida ou trocar a modalidade por outra mais barata no próprio banco. “Se o consumidor apenas pressionar seu gerente com ofertas de outros bancos, vai abrir uma grande margem de negociação”, diz Samy Dana, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Oliveira também pondera que o novo cliente não terá necessariamente melhores condições no novo banco. “O banco atual conhece o histórico do cliente e pode oferecer limites de crédito maiores, por exemplo.”
Taxas de juros cobradas em cada modalidade
Modalidade Banco do Brasil Itaú Bradesco Caixa Santander Safra Citibank HSBC
Cheque especial 5,02 8,01 8,26 4,05 9,74 7,38 10,03 9,67
Aquisição de bens 2,10 n/d 3,07 1,74 1,89 n/d n/d 5,58
Aquisição de veículos 1,24 1,35 1,38 1,26 1,38 1,26 1,30 n/d
Financiamento imobiliário com taxas reguladas e pós fixadas (ao ano) 7,68 9,51 9,09 5,66 8,65 n/d n/d 8,85
Crédito pessoal consignado (privado) 2,15 2,54 2,80 1,68 2,11 1,85 2,52 2,16
Fonte: Banco Central *n/d - não divulgado *taxas válidas de 16/4/13 a 22/4/13
Para ter maior base de comparação, é recomendado pedir o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento, que inclui outras taxas envolvidas na operação. Além disso, Dana alerta para a combinação de taxa e prazo. “Se pagar uma taxa de juros menor, mas for obrigado a pagar por prazo maior no novo banco, o consumidor vai pagar juros desnecessariamente”.
É necessário também verificar se o novo financiamento, com custos menores, não está condicionado à contratação de mais serviços. “Neste caso, pode não valer a pena, e a operação pode se configurar venda casada, o que é abusivo”.
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